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Insuficiente?

Vindo de uma temporada sem títulos e recheada de frustrações, o torcedor red devil aguardava contratações impactantes e uma evolução expressiva para ver o time voltar a abocanhar títulos. As primeiras semanas que antecederam a copa trouxeram boas notícias, como a aquisição do meio-campista Fred (convocado de Tite a antigo alvo de Pep Guardiola) e do promissor lateral Diogo Dalot, ex-Porto.

Porém, enquanto os rivais se reforçaram formidavelmente durante a parada de Copa do Mundo, o clube mancuniano não concluiu nenhuma outra transição e os rumores acerca de reforços simplesmente cessaram. Tal sonolência, se somada a outros fatores recentes, pode vir a custar caro e comprometer o planejamento do restante da temporada. É preciso acordar e correr atrás do prejuízo.

>> A grama do vizinho

O Arsenal deu início a uma autêntica renovação e o fez muito melhor do que o Manchester fizera em 2013. Após 22 anos memoráveis de Arsene Wenger, os gunners serão comandados pelo brilhante Unai Emery. Duas temporadas turbulentas no luxuoso Paris Saint German deturparam a imagem do espanhol no cenário internacional. Mais próximo de um adepto do futebol reativo do que de um estilo mais vistoso, o treinador elevou o patamar do Sevilla a nível europeu e foi tricampeão consecutivo da Liga Europa. Hoje, trazendo diversas peças alternativas ao clube londrino, inicia sua jornada com trabalho duro e “distante dos holofotes”.

No Chelsea, as expectativas são elevadas. O relacionamento conturbado com a diretoria impediu Antônio Conte de dar prosseguimento ao trabalho nos blues, substituído por ninguém menos que Maurizio Sarri. O famigerado italiano, abertamente simpático à escola do “Totaalvoetbal”, deverá implementar um 4-3-3 ofensivo, com auxílio de bons box-to-boxers (Jorginho e Kanté) e um armador técnico (ao que tudo indica, Cesc Fabregas) como pilar do meio-de-campo. Não é possível saber ao certo se haverá logo de cara “jogo bonito” na equipe londrina ou que essa mudança brusca aconteça tão facilmente. O que é indiscutível que a aposta de Abramovich é, sim,  alta.

As maiores preocupações se concentram, surpreendentemente, no Liverpool. Klopp conseguiu formar o melhor ataque (em números) de uma única edição de Champions League, foi vice-campeão da competição e bateu o City de Guardiola três vezes consecutivas, com direito a nó tático. As deficiências defensivas estão sendo aos poucos sanadas e o setor intermediário foi fortemente reforçado com as chegadas dos ótimos Neby Keita e Fabinho. Uma breve análise pode elucidar o quão perigoso o segundo maior da Inglaterra pode ficar para esta temporada.

Por fim, o atual campeão da Premier League. Mesmo antecedido de uma temporada memorável, o City se reforçou com a compra de Mahrez, melhor jogador da edição 2015-2016, e que poderá apresentar-se um upgrade de Raheem Sterling caso venha a atuar no flanco direito. Francos favoritos a um bicampeonato, os citiziens devem dar continuidade a um trabalho já marcante do treinador catalão e, caso demonstrem evolução, poderão até mesmo expandir sua supremacia nacional para a competição mais importante da Europa.

>> As coisas vão mal?

José Mourinho já reclamou (publicamente) diversas vezes dos acontecimentos da pré-temporada. Se olharmos mais atentamente, veremos que beira ao desastre. Dalot está machucado e só poderá ser integrado totalmente aos trabalhos em setembro. Fred, concluindo recuperação física, apenas poderá fazer seus primeiros treinos nas próximas semanas. Algumas peças importantes terão férias estendidas por conta do desgaste da disputa de Copa. Alexis Sanchez teve, acreditem, problemas com o visto e desfalcou o plantel em boa parte da pré-season nos EUA. E o nosso mercado de aquisições? Tão movimentado quanto a sala de troféus do Tottenham.

Já é possível falar em desespero e desperdício? Talvez seja cedo, ou esperamos. O fato é que uma boa campanha exige rígido ofício e planejamento adequado. O United, até aqui, peca em ambos. Que acorde do sono antes do naufrágio.

Bem-vindos à nossa pré-temporada

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