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É unanimidade entre os críticos futebolísticos que José Mourinho é um dos técnicos mais prestigiados dos últimos anos, pois conseguiu realizar trabalhos vencedores em todos os clubes a qual foi empossado, independente do relacionamento turbulento com a mídia esportiva ou até os próprios jogadores.

No Porto, conquistou a Tríplice Coroa Europeia, surpreendendo outros clubes de maior caixa e elencos mais badalados. Nos Blues Londrinos, período o qual recebeu o apelido de Special One, destruiu todos os paradigmas negativos e triunfou, não apenas a desejada Premier League para o clube, mas também um bicampeonato glorioso. Na Inter de Milão, entre 2008 e 2010, repetiu a dose marcante do Porto e ergueu, além dos nacionais, mais uma Champions League (novamente com Tríplice Coroa), além de ter derrotado o famigerado Barcelona de Guardiola e ganhado o título de lenda do calccio.

Entretanto, em 26 de maio de 2016, diante de alguns meses de estagnação causada pela agitada demissão recente do Chelsea, foi contratado pelo Manchester United para substituir o holandês Louis Van Gaal,  trazendo consigo a cruel responsabilidade de reerguer um gigante assolado por tempos ruins. Para a “sorte” do português, no sentido mais debochado presente, a sua vinda foi acompanhada com a notável elevação de nível na disputa pela taça da Premier League.

O início.
Considerando os notáveis flops da Era Van Gaal, acrescentado de um elenco que não se encaixasse totalmente aos seus moldes, Mou não hesitou em abrir os cofres para trazer contratações de peso, como o melhor jogador da Bundesliga, o jogador mais oneroso da história e um dos melhores atacantes da última década.

Foi julgado desfavoravelmente pelos críticos durante boa parte de sua carreira com a tese de que era um “retranqueiro”, fruto de um estilo de jogo “pouco pragmático” e repulsivo. Logo na sua primeira coletiva de imprensa, “trocou farpas com jornalistas que questionaram sobre a possível estratégia de “estacionar o ônibus”, a qual é acusado por muitos de usá-la em momentos de súbita pressão. Apesar das polêmicas casuais, o fato das equipes do luso serem conhecidas pela solidez defensiva nunca atrapalhou a formação de grandes ataques, visível em números precisos de suas equipes passadas, algarismos estes que auxiliam na desmistificação sobre o seu estilo.

FC Porto (Champions League 2003-2004): 20 gols em 13 jogos.                                                

Football Club Inter Milano ( Champions League 2009-2010):17 gols em 13 jogos.

Para a felicidade dos Red Devils, o que presenciávamos no início de ofício do português era um trabalho esquematizado e bem imposto. Ao oposto do que acorria nas equipes dos dois técnicos anteriores, havia variabilidade tática no Manchester de Mou. Como foi perceptível nas partidas contra Hull City e Bournemouth, o time mantém a compactuação defensiva e consegue atacar de formas variadas, explorando imprevisíveis maneiras de chegar até o gol, seja pelas pontas ou em plano de jogo centralizado. Tudo apresentava-se confiantemente

Antônio Valencia e Marouane Fellaini, jogadores que aparentavam não possuir espaço na disputa da escalação titular, ascenderam de forma empolgante durante a instalação de José, principalmente no caso do equatoriano, atual dono da lateral direita. Em outra situação semelhante, Luke Shaw, que não esboçava esperanças em se recuperar completamente da terrível lesão sofrida no confronto contra o PSV, retoma o flanco recuado esquerdo com atuações dignas de aplauso.

Para a infelicidade de José, o duelo flamejante contra Pep Guardiola foi justamente na quarta rodada do Campeonato Inglês. Não era tão complexo encontrar um diagnóstico para a fórmula da vitória no Derby: Venceria quem conseguisse consolidar uma equipe no menor espaço de tempo. O catalão foi superior nesse quesito.

Então, desde esse jogo que sucedeu a Data FIFA, um declínio assustador principiou-se. Considerando desde a maior parte do primeiro tempo (confronto contra os Citiziens), a qual ficamos estagnados em um controle absoluto dos rivais, que impuseram seu estilo com frieza, a equipe não se encontrou mais dentro de campo.

Pontos negativos.

Como mencionado na minha última coluna, O herdeiro de Ryan Giggs, a ponta-esquerda sente uma carência de brilhantismo desde a pré-temporada, gerada pelas atuações discretas de Anthony Martial e o ostracismo de Memphis Depay. Venturosamente, Marcus Rashford mantém a sua estrela radiante e sugestiona a sua ocupação no flanco.

As atuações de Fellaini, figura questionada há muito tempo dentro da equipe, mantiveram-se em um nível respeitável desde a chegada de José. Mas, em termos gramáticos, respeitado não significa necessariamente prestigiado. É notável a falta de mobilidade e agilidade do nosso meia-central defensivo, fato ainda mais agravado quando são lembradas as presenças de Herrera e Schneiderlin na composição do banco.

Como citei anteriormente, Fellaini não comprometeu em erros diretos até aqui, porém é um jogador notoriamente limitado. Apesar disso, as críticas ferrenhas realizadas sobre ele, antes de tudo, apenas são possíveis porque ele é um jogador “menos badalado”. Wayne Rooney, nosso grande ídolo atualmente, apresentou um futebol deplorável na partida contra o Watford, igualmente em outros jogos. Por que o lendário Wazza é tão intocável ao ponto de não ser possível deixá-lo no banco? É um equívoco criticá-lo? Um ponta-de-lança tão superado e antiquado que realizou 12 passes durante o primeiro tempo em Londres, sendo 10 deles para a linha defensiva. Seria momento para investir outros jogadores na posição?

Partindo de Herrera e seguindo até Mkhytarian, encontramos nomes para substituí-lo. O manager terá moral suficiente para tornar isto realidade?

Paul Pogba sofre do mesmo efeito de Fellaini, dessa vez por ser uma peça altamente cobrada. Como o próprio treinador expressou, demorará bastante para que o valor pago na aquisição do francês seja esquecido. O jovem Frenchman demonstrou estar determinado a recuperar o bom futebol e a confiança, algo visível no esforço executado nas últimas partidas. Mas, para agregar mais um infortúnio à lista do treinador português, relembro firmemente que a posição de Pogba durante o seu auge (Juventus) era a de camisa 10, mais próximo dos atacantes e com liberdade para armar adjacente ao gol. Mesmo não sendo provável a sua escalação nessa posição, Mourinho deve facilitar a vida da sua contratação mais cara, situando um homem de habilidade superior para fazer dupla com o próprio (Morgan Schneiderlin ou Herrera). Aceitando ou não, o indivíduo mais propício a ajudá-lo é o próprio Mou.

Juan Mata, um dos únicos do elenco que ainda é prestigiado pela torcida e repete boas atuações, não tem entrado nos momentos importantes. Mesmo pecando no quesito marcação, ele é um playmaker vistoso, detentor de uma versatilidade que permite o posicionamento na ponta-direita ou meio-campo, talvez a personalidade mais confiante no momento para assumir o lugar de Rooney. 

Crise?

Demasiada prematura e equivocada esta afirmação. O Manchester City, grande vilão da temporada, prolonga uma série de vitórias com boas atuações, mas ainda é propenso a tropeços, algo que certamente irá ocorrer, já que estamos nos referindo à Premier League. O Special One, previamente, possui um elenco generoso. Há tempo para manter o controle, adquirir aprendizagem com os erros, modificar escalações e refletir acerca dos desvios recentes. A ocasião mais favorável a isto será o próximo adversário, Northampton Town, pela copa da liga (quinta-feira). Caso os ventos voltem a nos favorecer, essa poderá ser a redenção do Special One, fazendo jus ao apelido.

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