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Ainda um desconhecido de muitos brasileiros, Fred fez uma temporada brilhante na Europa

É fato que José Mourinho, após duas temporadas de muitos gastos e alto hype no clube mancuniano, ainda não correspondeu às expectativas de outrora. O português, cujas equipes sempre tiveram fama de rigidez tática e equilíbrio em campo, ainda não solidificou um time competitivo em Manchester. Pouco vistoso em atividade, decepcionante nas Copas e insuficiente para desbancar o revolucionário City de Guardiola, amargou um ano sem títulos.  Entretanto, ao menos contratualmente, ainda há futuro para José em Carrington.

Sempre batendo na tecla da evolução, o luso exigiu publicamente reforços para a temporada seguinte; desde o sistema defensivo (com as frágeis laterais), até o setor intermediário (um dos objetos de análise do texto). Será realizado, por mim, um exame acerca dos erros os quais impossibilitaram algum êxito nesta temporada e os acertos necessários para um futuro mais vitorioso no maior campeão inglês.

Os incansáveis erros do teimoso José Mourinho

Como alguém apaixonado por futebol desde a infância, é a mim recorrente questionamentos do tipo: “Por que os treinadores tomam, às vezes, decisões tão inexplicáveis?”. Em época de Copa do Mundo, alguns casos curiosos relativos às federações podem ajudar a esclarecer o que tenho em mente.

Leroy Sané é um dos melhores jogadores da sua posição e um futuro concorrente aos prêmios mais badalados do futebol mundial. É, em outros termos, um fenômeno. Com incríveis 25 participações diretas em gols na última edição de Premier League, ficando atrás apenas de De Bruyne no quesito assistência, o ponteiro alemão foi dos melhores da competição (ao lado do belga, de Silva e Salah).

Motivos de sobra para ser um titular inquestionável ou peça-chave da atual seleção mundial, certo? Bom, não para Joaquim Low, que o preteriu para levar Julian Brandt e Draxler. Ironicamente, os campeões não conseguiram passar da primeira fase. Explicação? Nenhuma isso requer…

Outro caso curioso é o da desastrosa Argentina de Sampaoli. Mesmo passando (com muito sofrimento) para as oitavas-de-final, a equipe celeste foi das mais decepcionantes da fase de grupos. Ademais a horrenda defesa, o ataque foi praticamente nulo até o jogo definitivo. E quem o técnico badalado (o “Guardiola sulamericano”) deixou de lado e como suplente? Nada menos que Paulo Dybala. Não mais argumentarei, o parágrafo fala por si só e a pífia justificativa do professor não será mencionada.

Aonde eu quis chegar com tantos exemplos remotos? Ora, com as próprias atitudes de José Mourinho no comando do Manchester United. Em dois anos, não foram poucas as suas incoerências. Martial é, decerto, um jogador sonolento e irregular. Mas é um componente dos ovacionados Le Bleus e um vencedor do prêmio goldenboy. A forma com a qual o português o esnoba é inadmissível quando pensamos no desmedido esforço para renovar o contrato de Fellaini.

Victor Lindelof pode ter frustrado os fãs nas suas primeiras exibições, mas colecionou, posteriormente, diversos Man of the Match e realiza, até então, uma ótima Copa. Isso, curiosamente, não pareceu suficiente aos olhos do Special One. A situação fica mais embaraçosa quando lembramos que o sueco “come banco” para atletas do nível de Jones e Smalling, este beirando ao amadorismo técnico. A cereja do bolo? “poupar” Eric Bailly da final (perdida) da FA Cup e permitir que os dois gênios britânicos citados proporcionassem um show de horrores.

Seria possível prosseguir por mais alguns parágrafos apontando casos como os de Young e Shaw, por exemplo, mas acredito já bastar o compilado acima. Sejam os tratamentos estranhos para com alguns atletas seja o usufruto recorrente de alguns “perebas”, é evidente que Mourinho tenha sido (no mínimo) controverso no comando do plantel. Exige-se, doravante, que ele seja justo para a sua terceira temporada, pois já não há mais espaço para tantos equívocos evitáveis.

As contratações e o que com elas pode ser feito

Agindo rapidamente (quem é você e o que fez com nosso Ed?), Ed Woodward fez aquisição do jovem Diogo Dalot, lateral português ex-Porto. Em tempos de mercado supervalorizado e considerando as recentes contratações onerosas do clube, foi bastante sagaz haver pago apenas 19 milhões de libras na joia lusitana e deixado a mesma distante dos holofotes. Rico de atributos ofensivos, Dalot será o futuro de sua posição. De quebra, o jovem de 19 anos é versátil e já foi utilizado nas duas laterais.

No meio-campo, algo ambicioso pode estar sendo planejado por Mourinho. Se houve alguma desavença com Paul Pogba no curso de 2017-2018, o fato é que o francês é um dos mais capacitados para a função e, até em números, calou muitos críticos. Se comentou bastante sobre a aquisição de um terceiro elemento para formar trinca com Paul e Matic; logo Fred, convocado do Tite na Copa e outrora almejado por Josep Guardiola, foi anunciado. O volante é habilidoso e completo, já configurando por si uma elevação de patamar

Porém, algumas notícias sugerem o fantástico. De Savic ao venerado Toni Kroos, muitos central-middlefielders estão ainda sendo especulados no time. Mourinho, dizem as fontes, quer mais alguém para a posição. Dificilmente seria gasto uma bagatela para adquirir um mero suplente. Meu palpite? O Special One pretende consolidar uma “diamond formation” com os quatro jogadores.

Cedo ou não, ainda há o que ser resolvido. Mas ninguém negará que esses planos, se aplicados adequadamente à práxis, surtirão bons frutos vindouros.

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