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Como enfatizado na minha penúltima coluna, leia aqui, o mês de outubro seria implacavelmente decisivo para os rumos da nossa temporada, pois traria quatro intensos confrontos em um curto espaço de 9 dias.

Esforçando-se o máximo possível para evitar a irregularidade e encontrar o 11 ideal, José seria testado friamente pela primeira vez desde que chegou ao clube, pondo em prática toda a sua experiência e conhecimentos táticos.

Atormentado pelo ofício anterior, Chelsea FC, o qual foi demitido após uma série de polêmicas turbulentas e uma defesa de título tão prestigiada quanto a de David Moyes (2013-2014), ele trouxe consigo a missão de demonstrar ao mundo que seu estilo de jogo ainda era vencedor, em uma ocasião distinta, se reinventar.

  • Resumo de outubro.

O mês iniciou com o empate frustrante contra a equipe do Stoke City, apresentando uma atuação ofensivamente constante, mas pouco eficiente.

Em Anfield, Jürgen Klopp e Mou, “rivais” públicos, travaram o grande Derby ávidos pelos três pontos. Apesar da ótima atuação defensiva e um grande volume de jogo na primeira etapa, amargamos um outro empate.

Na quinta-feira, marcando o retorno de Robin Van Persie ao Old Trafford, derrotamos o Fernebahçe (Turquia) por 4 a 1, atuando convincentemente e retomando parcialmente a confiança.

Antecedidos por uma boa vitória e dois empates duvidosos, fomos à capital enfrentar os Blues Londrinos, um dos grandes concorrentes ao título. De forma desastrosa, fomos “engolidos” taticamente pelo time do italiano Antonio Conte, sofrendo um revés tão humilhante quanto outras históricas goleadas. Tudo aparentava estar indo por água abaixo.

Para se redimir com os Red Devils, José Mourinho voltou ao Trafford e derrotou o Manchester City, rival da cidade e comandado pelo famigerado Pep Guardiola, que também não passa por um ótimo momento. Classificou-se para as quartas de final da EFL.

Mesmo com duas vitórias importantes, pontos negativos tornaram-se explícitos na equipe do portugês. Afinal, ele estaria decadente?

  • Does Mourinho continues to be special?

Após duas temporadas brilhantes no comando do Porto, que nem ao menos era o maior clube de Portugal, José Mourinho chegou à Inglaterra para defender o discreto Chelsea, que acabara de ser comprado por Roman Abramovich. Ganhando uma Premier League na temporada de estreia e um Double na segunda, ele foi apelidado de The Special One.

Os trabalhos na Internazionale de Milão e no Real Madrid, respectivamente, dispensam comentários. Na Itália, formando um esquadrão clássico, dominou o Calccio e voltou a executar a Tríplice Coroa. Comandando o gigante de Madrid, vivenciou altos e baixos, mas ficou marcado como o único treinador a desbancar Guardiola em um campeonato nacional. O apelido era mais do que justo.

Na sua segunda passagem pelo Chelsea, ele voltou a erguer a taça cobiçada da Terra da Rainha, durante a temporada 2014-2015. Infelizmente, inserido em um cenário turbulento e realizando uma defesa de título vergonhosa, ele foi demitido do time antes do meio da temporada. Era preciso rever conceitos.

Após alguns meses afastado do universo futebolístico e evitando cravar a volta a algum grande clube, José finalmente estava empossado em um grande da English Premier League. Peculiarmente, não era o Chelsea. Tratava-se do gigante de Manchester.

A combinação era impecável; um gigante atormentado por uma reformulação ruim e um manager que precisava dar a volta por cima. Não hesitou em abrir os cofres para contratar estrelas de peso e promessas vistosas; Paul Pogba, Eric Bailly, Henrikh Mkhitaryan e Zlatan Ibrahimovic.

A season ainda está em seus primórdios de desenvolvimento, mas, para a maioria dos espectadores, o United já decepciona. Evidenciando uma pífia irregularidade, a equipe possui uma notória dificuldade contra os grandes adversário e seus principais jogadores não exibem um futebol elegante, ocupando a sétima colocação na PL.

O luso, que ficou famoso por sua postura confiante e afirmações aguçadas, aparenta estar cabisbaixo e frustrado nesse novo trabalho, declarando à imprensa de que já não possui contato pessoal frequente com a família e sente-se abandonado dentro de uma nova impactante realidade. Mesmo que isso pudesse apontar uma fraqueza neste “novo Mourinho”, ainda há esperança acerca de seu trabalho.

Em uma edição que promete ser a mais disputada da história da Premier League, os clubes das primeiras colocações estão a um ponto do líder, demonstrando que poucas rodadas podem literalmente virar o jogo.

Um fato deve ser exposto; a Inglaterra destrona qualquer rei.

Josep Guardiola venceu todos os campeonatos nacionais que disputou (La Liga e Bundesliga), acostumando-se a impor uma supremacia inquestionável com o elenco catalão e a máquina bávara. Logo ao desembarcar no Reino Unido, encarou desafios duros e já amargura o sexto jogo consecutivo sem vencer, eliminado da English Football League e próximo de perder a liderança. Podemos concluir, então, que José Mourinho não anda assolado unicamente por uma crise técnica. Ele “apenas” está sendo afetado pela Liga mais competitiva do planeta.

A vitória sobre o Manchester City e o pedido de desculpas realizado direto ao Stretford End acenderam as velas da esperança dos torcedores Devils, que temiam a sua posterior arrogância. Mourinho, antes de tudo, deve recordar-se o porquê de ser considerado um dos treinadores mais badalados do futebol europeu e reavaliar todos os seus conceitos, desde a polêmica tática de estacionar o ônibus, até os geniais mind games.

Ainda restam 78 pontos a serem disputados e todas as copas nacionais/europeias as quais nos encontramos, já que ainda não sofremos a primeira eliminação. Estudando racionalmente a situação, conclui-se que há tempo suficiente para solidificar os pontos positivos e solucionar os infortúnios da equipe.

Antes de tudo, lucidez e segurança precisam pairar pelos arredores de Trafford. Porém, é de se esperar uma reação afrontosa. Pois não estamos falando apenas de uma das figuras de maior sucesso futebolístico da última década, vitorioso em todos os países onde passou e aclamado até pelos mais fervorosos críticos. Estamos nos referindo ao Special One!

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