Qual a real importância de um treinador para um time de futebol? As respostas divergem. Uns dizem que não é tanto, que o técnico não entra em campo, não faz defesa, não toca a bola, não chuta e etc. Outros pensam diferente, dizem que o professor é 50% ou mais em uma equipe. Que ele é quem decide quem irá passar, defender e chutar. Independente das respostas, uma coisa é certa: o técnico de futebol tem uma vida complicada.

Pressão de todos os lados, da torcida, da imprensa e por vezes, dos próprios jogadores. Mesmos os grandes, já passaram e ainda passam por isso. Justamente por essa questão, ao se contratar um treinador, é preciso pensar umas 500 vezes. Não se pode trazer alguém despreparado, seja no quisto tático, técnico ou emocional. É preciso analisar o perfil e ver se combina com a cultura do clube. É um processo árduo. Tudo isso pode parecer clichê. E é. Porém, em certos casos, não acontece esse processo.

David Moyes chegou ao Manchester United pra substituir uma lenda. Não era e não é fácil. Não seria fácil pro Mourinho, não seria fácil pro Guardiola, não seria fácil pra ninguém. Porém, a postura e mentalidade do time, com o técnico escocês, é algo incompatível com o tamanho do clube. A desculpa que o Ferguson demorou anos para ganhar o seu primeiro título, coisa que Moyes já conquistou (Community Shield), inclusive, não cola. Quando Ferguson assumiu o clube em 1986, o time era sim grande, mas não do tamanho que é hoje.

A pressão existia, mas não da forma que se é cobrado hoje. Sir elevou o patamar do time, transformou um grande da Inglaterra em um gigante do mundo. David teve algumas boas temporadas no Everton, embora não tenha ganhado títulos (!), armando o time de acordo com o tamanho e a necessidade do mesmo: time médio, jogando defensivamente, que lutava por vagas nas competições europeias.

O United do Moyes por vezes lembra o seu Everton: postura defensiva, mesmo dentro de casa contra times médios/pequenos. Nessa última quarta, no jogo contra o Arsenal, o time tinha bola no último minuto pronto para exercer o último ataque, a bola foi recuada para os volantes e depois para a defesa. Final de jogo. Everton ou Manchester United? Concordo que é preciso dar mais tempo a ele, junto com alguns reforços. Mas postura e mentalidade, não se compram.

Saudações.

Por Pedro Paulo
www.mufcbr.com

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