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Seria Louis Van Gaal um apaixonado pelo mais famoso jogo de simulação do mundo? Será que a prancheta do holandês é no computador, onde ele seleciona cada um, coloca a sua função e escolhe os números fanaticamente? Será que ele é um daqueles que coloca o time como no controlar, ataque ou sobrecarga? As jogadas ensaiadas são criadas minuciosamente? E o estilo de jogo. É fluido ou muito fluido. Aos apaixonados pelo jogo, mostrarei como Van Gaal trouxe o simulador para a vida real. Já nos fez ganhar um “título” devemos ficar alegres.

Agora vocês me perguntam. Por que devemos comemorar este título recém conquistado pelos Diabos Vermelhos? Ora bolas, isso é fácil. É só olhar a temporada passada. Cada jogo era um sofrimento. Cada jogada do Young era um tumor brotando em nossos olhos. Mas esta temporada começou diferente. Um Manchester voando. Um Young em tempos de Aston Villa. Um Welbeck que jogou, finalmente jogou, mas continua ruim. Um Nani que mostrou que é um imprestável (fatos como este nunca mudam, assim como o Cleverley. Recuso comentar). Um Kagawa que buscou o seu espaço com unhas e dentes, difícil, porém não é impossível. Um Rooney mais magro. Um De Gea cada vez mais elástico. Um Louis Van Gaal frio. Um esquema fantástico. Inteligente.

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O nível de ofensividade de Van Gaal no simulador é de 19 em 20. Fato condizente com a realidade. O treineiro holandês tem como características times rápidos e ofensivos, mas com bom poderio de defesa.

A inversão do clássico 3-5-2 do futebol mundial adotado por anos na Hungria de Puskas e outras seleções do Leste Europeu, virou um 3-2-1-2-1-1 (três zagueiros, dois alas laterais, um curinga, dois pontas, um armador avançado e um falso nove. O estilo de jogo é Controlar. O time joga no muito fluido. Mantêm a posse da bola, intimida os adversários, joga pelas pontas, sai com a bola, joga mais avançado, procura espaços, respira, tem mais expressividade e procura alguém desmarcado.). Vou explicar o por que. O esquema é o mesmo adotado na seleção holandesa na Copa de 2014. Esquema inteligente e ousado, porém falho caso não tenha uma forte linha de defesa. O United, nessa pré-temporada, predominou a linha de defesa com Smalling, Evans e Jones. Os gols que tomamos foram idiotas. Alguns erros crassos vindo de uma zaga muito lenta e sem poderio de marcação. Evans, voltando de lesão, se mostra atordoado, em várias jogadas ele está claramente perdido. Nós sabemos do potencial do zagueiro, contamos com ele como um possível capitão, já que a faixa está dando bobeira por Old Trafford. A pré-temporada de Evans foi de pura oscilação, com os picos negativos sendo maior que os picos positivos. Smalling é fraco. Não é de hoje. Colocamos Smalling por ser necessário. Por não ter outro. Talvez o Blackett? Não. Muito jovem e inseguro. Mas Michael Keane pode ser a sombra. O jovem jogador é bom e jogou bem. É forte, seguro e incisivo. Necessário para um time revitalizado. Jones, hoje, é o nosso melhor zagueiro. O homem das mil caretas é forte, bons reflexos, mas é afobado. Jones, você já jogou demais para continuar afobado deste jeito. Fique calmo garotão. Resumindo, na defesa precisamos de alguém de nome. Um xerife. Alguém que impõe respeito.

Na parte da correria temos dois “Alas Laterais”. Não avançam tanto como um ponta ou um meia-lateral, e também não fica grudado na defesa. Rafael de um lado e Shaw de outro. Esta é a formação. Rafael pouco a pouco cresceu o seu poderio defensivo. Luke Shaw é um lateral completo. Ambos avançam muito, são incisivos. Num esquema clássico de 4-4-2 o United sofria muitas bolas nas costas, principalmente de Evra. Por isso, a formação que podemos dar o nome de LVG, combate um pouco essas avenidas. O congestionamento de zagueiros e a mistura entre ataque e defesa dos alas laterais, dão um poderio de fogo ímpar e uma defesa concisa, claro, aberta a contra ataques.

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Seleção da Holanda na Copa de 2014. A diferença foi a entrada de dois jogadores mais recuados na linha do meio campo.

Assim como na seleção da Holanda, Van Gaal tinha um cão de guarda. É necessário para uma formação ofensiva. No papel quando pegamos três zagueiros e dois laterais, pensamos logo em uma retranca entojada. Nada disso. Já expliquei acima a função dos alas laterais. O cão de guarda do nosso time não vai ser bem um cão de guarda. Um regista talvez. Será o que o Pirlo faz no time da Juventus. No melhor estilo italiano de jogar, mas fato é que nosso regista é Espanhol. Ander Herrera. É o cara da marcação e da ligação. O passe do espanhol é primoroso. Na pré-temporada, Herrera se mostrou o maestro do time. Lembra um pouco de Scholes, com lançamentos longos e precisos. Esse “único” na linha do meio campo não precisa ser bem um regista. Às vezes Herrera pode virar um Box-to-box clássico. O Schweinsteiger do United. Correndo de uma área a outra com um bom toque de bola e às vezes com espaço para a finalização.  Este um no meio campo é um curinga. Pode ser um primeiro volante ou um trinco com o Carrick em campo. Pode ser um box-to-box mais brigão como Cleverley, um armador Recuado com o Fellaini ou um armador bem avançado com Kagawa.  A opção do AA (Armador avançado) na linha do meio campo é quando é necessário o abafa. Sem precipitações, não é necessário jogar assim para ganhar a PL.

Manchester United v Los Angeles Galaxy

Herrera é o curinga de Van Gaal para a temporada 14/15

Finalmente, na parte mais avançada do campo, os dois wingers do time. Posição essencial na história do Manchester United. Hoje o futebol moderno não aceita mais times que não joguem com um jogador em cada ponta do campo. Na pré-temporada fomos de Young e Valencia. Nani no banco. Lingard entrando por ali. Apenas Young foi merecedor de tal posição. Lingard é um jovem e ótimo jogador, mas é preciso ser lapidado com cuidado. Young lembrou seus tempos de Aston Villa. Caso venha a jogar assim para o resto da temporada, será fundamental. Eu sou fã do inglês. Sempre o defendi e acreditei nele. 2014/2015 pode ser uma temporada Young. Nesta pré-temporada, vimos que o meio foi mais eficaz que as pontas. Mata está se acostumando a jogar na posição, talvez seja lá que ele fique, é muito improvável o uso do espanhol na meia cancha centralizado. Rooney é o homem daquela posição. Kagawa e Welbeck também podem jogar por ali, o Welbeck esta até mais acostumado, mas não aceito o fato de ver ele na mesma posição que por anos vimos Cristiano ou Cantona. O winger no United é sagrado. Fora Nani e Welbeck. Caso o Pelé do Old Trafford queira ter espaço, que seja no ataque. As pontas do Manchester também precisam de alguém de nome. Assim como na zaga, um jogador que impõe respeito. Olhando a base, temos o jovem Lawrence que pode fazer barulho por ali.

Na armação temos Rooney. O homem a jogar por ali na ausência de RvP, que com certeza será o titular de Van Gaal. O inglês é um secundo atacante, chegando a área com freqüência, abrindo para o chute e tem uma ampla visão do campo. Talvez em um jogo mais truncado, a entrada da velocidade de Kagawa e Januzaj como um típico camisa 10 pode ser fundamental. Os dois são rápidos no passe e incisivos. Ainda continuo com a minha opinião de que, se o Rooney não jogar, o primeiro substituto tem que ser o Mata. Vamos ver como Van Gaal vai distribuir, mas com ou sem Rooney, o espanhol tem que ser titular de alguma maneira.

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Possível formação de Van Gaal. O clássico 3-5-2, utilizado na Holanda, foi transformado em um ofensivo 3-3-2-1-1.

Sobre o ataque não preciso comentar. Van Persie é o atacante. Mas não como um centroavante. O futebol de hoje não aceita mais centroavantes. Com Moyes, o Holandês pouco fez assim. Um falso 9. É disso que precisamos. Van Persie tem categoria o suficiente para buscar o jogo, levar, tabela, abrir e chutar. Tem inteligência e visão o suficiente para inverter uma jogada, correr para a área e colocar dentro do gol. Temos que focar o falso nove. Chega de centroavantes ou de jogadores alvos (desculpa Chicharito, sou seu fã, mas assim não dá).

Esta foi uma análise vendo a pré-temporada do United. Esperamos que o time jogue assim durante toda a temporada. Tomara que a façanha de derrotar grandes clubes não seja alguma maravilha ou milagre do Tio Sam. Pode até ser um milagre. Mas que seja do Tio Van Gaal. Tio este que é o terror para quem gosta de comentar táticas. O esquema base é o 3-2-1-2-1-1, podendo virar um 3-5-2 clássico, ou um 3-6-1 ofensivo. Às vezes, como a Holanda na Copa do Mundo, um 4-1-3-1. Van Gaal, o mesmo cara que converteu o 5-4-1 retrancado para um 3-2-1-2-1-1 equilibrado e muito fluido, pode deixar qualquer fã de Football Manager louco, pirado e fascinado.

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Van Gaal é claramente a figura na vida real mais próxima do simulador mais famoso do mundo. (Foto: Daily Mail)

 

Por Vinicius Toscano
www.mufcbr.com

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