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» ALGUNS CLÁSSICOS

Após Roman Abramovich (bilionário russo) adquirir o Chelsea FC, junho de 2003, Londres passou a ter uma nova potência futebolística, que não apenas iria disputar a supremacia dentro da capital, como também iria erguer-se ao nível dos gigantes europeus.

Diante de tal ascensão, o United, na época comandado por Alex Ferguson, deparou-se com mais uma figura que poderia atrapalhar o seu êxito na Premier League, e provavelmente se tornar um futuro infortúnio. Além dos embates diretos da FA Cup 2006-2007 e Premier League 2009-2010, ambos proporcionando os Blues como campeões e os comandados de Fergie como vice, a final da Champions League 2007-2008 pôs as duas equipes novamente em um confronto, agora com triunfo dos Devils.

Apesar dos ascendentes jogos dos últimos anos e a visível dificuldade do United em vencer os Blues (desde 2012 não efetua tal ato), não é unanimidade entre as torcidas que tais equipes são rivais notáveis. Distante disto.

Durante anos, isentos de poucas exceções, um dos únicos combustíveis que moveu o Derby de Manchester foi o desentendimento local entre os cidadãos, já que as equipes encontravam-se em situações completamente diferentes. Devido à mesma transação vivida anteriormente pelo Chelsea, dessa vez envolvendo Sheiks árabes evitando a falência total , os Citiziens conseguiram produzir times competitivos e “bater de frente” com os reis da cidade, principalmente com a recente posse do prestigiado Josep Guardiola no comando técnico. Ainda assim, a diferença de ambição e tradição é exorbitante, apenas o atravessar das décadas poderá construir um verdadeiro Derby.

Os anos 60 foram gloriosos para as lembranças de qualquer Britânico apaixonado por futebol; apresentando Gunners, Reds e Devils como as equipes mais bem-sucedidas. Durante esse período, através da concorrência pelo título de segundo maior do Reino, nasceu a rivalidade entre a potência do norte de Londres e os Diabos Vermelhos. Porém as desavenças apenas foram se agravar entre o final dos anos 90 e o princípio do século 21. Vivenciando eletrizantes confrontos, Arsene Wenger e Fergie marcaram época com suas antipatias pessoais. Mas esse folclórico encontro, mesmo recheado de legados, não é comparável ao próximo.

» O CLÁSSICO

Em meados da Revolução Industrial, as cidades de Liverpool e Manchester se destacaram pela ascendência nas formas de produções e a hegemonia industrial em território nacional, principalmente no noroeste do país. A “joia de Merseyside, como então era conhecida, mantinha posse do grande porto da região, enquanto Manchester sobressaia no setor têxtil. Cansado de executar frequentes queixas (todas ignoradas) acerca dos preços abusivos de navegação, Manchester resolveu tornar-se independente e inaugurar seu próprio porto. Sem hesitações, construiu o Manchester Ship Canal. Assim iniciou-se, de uma rivalidade entre operários e detentores dos meios de produção locais, um dos maiores clássicos do mundo.

Episódios de hooliganismo, provocações recorrentes, desentendimentos dentro do campo e nervos à flor da pele proporcionam um ingrediente atraente para o grande Derby. Mesmo com a pequena vantagem histórica nos confrontos diretos, o Manchester United enfrentará o seu maior rival, no Anfield, antecedido de pressões e resultados nada convincentes.

Como citado na minha última coluna, leia aqui, o mês de outubro será decisivo para o futuro da nossa temporada, caso Mourinho esteja disposto a levantar troféus importantes. Por outro lado, o Normal One, Jürgen Klopp, carrega o desconforto de comandar um gigante à beira do ostracismo, cujo próprio não vence um Campeonato Inglês há quase três décadas.

Aliados a esses pontos citados, concluímos que este clássico, além da marcante rivalidade cotidiana, realizará um encontro entre duas equipes ávidas por resultados positivos e em busca da vitória. Entretanto, não se trata apenas de uma discórdia momentânea por disputa de título, mas sim de uma rivalidade que transcende as quatro linhas e representa uma paixão maior.

North West Derby, o grande Derby!

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