Colunas

Eles dizem que nunca se rendem

*O texto a seguir foi realizado em parceria com Anderson Queiroz, blogueiro do ESPN FC (Sevilla Somos Nosotros)

Após anos de instabilidade, o Manchester United voltará a disputar o mata-mata da Uefa Champions League. Desde 2014, quando ainda era comandado por David Moyes, o clube mancuniano não chegava à segunda fase. Nos três anos seguintes, ficou de fora da competição em duas ocasiões e foi eliminado na fase de grupos em outra. Quarta-feira, dia 21, disputará o primeiro jogo das oitavas diante do Sevilla (Estádio Ramón Sánchez Pizjuán). É o ressurgimento do maior da Inglaterra no cenário Europeu.

Teoricamente, os red devils entram como favoritos para o confronto. O objetivo do texto, entretanto, é analisar os limites de tal favoritismo e, principalmente, especular qual deverá ser a postura adversária.

>>O audacioso Sevilla

A temporada do clube espanhol é recheada de altos e baixos. Além da troca de treinadores e de algumas goleadas sofridas, a janela de transferências, para alguns torcedores, deixou a desejar. Mas há, ao meu ver, mais pontos positivos do que negativos na temporada sevillista.

O time, recentemente tricampeão da Europa League (competição da qual os comandados de José Mourinho são os atuais campeões), é sempre competitivo em fases eliminatórias. Em outros termos, é um legítimo copeiro.

Vencedor de 11 das últimas 17 decisões disputadas, a “quarta força” da Espanha não deve ser subestimada em projeção continental. Além de estar na final da Copa del Rey, na qual enfrentará o Barcelona, já promoveu algumas exibições de gala sob o comando do novo treinador, o italiano Vicenzo Montella.

No Wanda Metropolitano, diante do fortíssimo Atlético de Madrid, conseguiu a vitória e “engoliu” o time de Simeone taticamente. No jogo da volta, derrotou os colchoneros novamente, desta vez por 3 tentos, e os eliminou da Copa. Futebol vistoso, de classe mundial e fatal.

O destaque das grandes atuações rojiblancas é o setor intermediário. Organizados pelo argentino Banega, certamente darão trabalho aos meias box-to-box de José Mourinho. O jogo vertical é de longe o forte dos donos da casa. É, acima de tudo, uma equipe para os grandes jogos:

“O Sevilha é um time sulamericano perdido na Europa… Costuma ser motivado pela torcida desde o hotel… Em casa, o Sevilla é forte e dará guerra!“. As frases impactantes de Anderson Queiroz falam por si só.

Vale ressaltar os triunfos recentes diante de Jurgen Klopp. Ademais o passeio na final da Europa League 2015/2016, os sevillistas buscaram um empate heroico contra o Liverpool na fase de grupos dessa edição da UCL. Após os reds abrirem uma vantagem de 3 no placar, o time da casa buscou o empate bravamente e saiu como “o vencedor da noite”. Ou seja, preparem-se para intensidade total, red devils.

Dicen que nunca se rinde. É o lema da torcida.

>>Instruções para um técnico “especial”

Mais do que nunca, o rei dos mind games deverá executar uma estratégia de mestre. Visando, também, ao confronto diante do Chelsea no dia 25, José Mourinho precisará administrar o elenco com cautela e inteligência. É tempo de se tornar The Manager One.

O setor defensivo, recém reforçado pelo retorno do fantástico Eric Bailly (a melhor notícia em tempos), precisará manter-se sólido, como a melhor defesa da Premier League. Chris Smalling e Phil Jones devem ser barrados a priori, em especial o primeiro. Acredito em uma dupla formada com Marcos Rojo. As laterais, no entanto, devem ser compostas pelo inquestionável Antônio Valencia e o muito questionado Ashley Young.

Talvez o principal desafio, no meio-campo, ronda em torno de encontrar a escalação ideal para Paul Pogba, assunto recorrente em debates recentes. Não duvido que o português aposte no experiente Michael Carrick como meia-central, mesmo que Scott Mctominay venha exercendo a função com excelência, para permitir que o francês jogue com obrigações defensivas menores. Não se sabe também se optará pelo basco Ander Herrera para formar dupla com Nemanja Matic. Aliás, descobrir a escalação para esse jogo deveria render um prêmio.

No jogo mais importante até então, o Manchester United de José Mourinho precisa agir como Manchester United de Alex Ferguson. Provavelmente, um dos principais defeitos do primeiro costumava ser o turning point do outro. Aquela malícia para matar o jogo, presenciada apenas no 1×3 no Emirates Stadium, tem de estar presente no Ramon Sanchez. O clube possui o técnico adequado para isso, mas será que tem um elenco para tal? A resposta virá na quarta.

Acima de tudo, o plantel precisa de sagacidade. Sagacidade para retornar ao Old Trafford já com um pé nas quartas de final.

Comentários