Colunas

Desde a aposentadoria de Sir Alex Ferguson, em 2013, o United não mais conseguiu levantar a taça da Premier League. Nas últimas temporadas, a melhor posição alcançada pelo clube mancuniano foi a quarta colocação, enquanto os rivais da cidade foram quarto colocado na sua pior campanha. Com o título desse final de semana, os citiziens já chegaram à segunda conquista do campeonato desde que Fergie parou; nós nem ao menos disputamos acirradamente em alguma edição.

Se a Premier League seguir o ritmo esperado até o próximo mês, terminaremos em segundo lugar, melhor posição em 5 anos. Mas ainda é insuficiente. Para um clube de investimentos tão onerosos, nem mesmo uma FA Cup poderia corresponder ao desejado; os Red Devils querem dominar a Inglaterra novamente. Questiona-se, então, o que resta a fazer para que a taça mais cobiçada do Reino volte ao Old Trafford.

Coerência e vôos altos.

Quando se trata do Manchester United de José Mourinho, coerência nas atuações é um termo pouco familiar. Um plantel que faz uma das suas melhores exibições da temporada diante do Swansea, derrota o grande rival fora de casa (impedindo a conquista do título na ocasião) e, ao fim de tudo… perde para o “poderoso” West Bromwich, lanterna, em pleno Old Trafford, entregando o campeonato de forma vexatória.

O primeiro semestre da season foi marcado por críticas à postura do técnico português diante das outras equipes do Top6 (em especial, no estádio adversário), o que apenas teve fim quando o mesmo conseguiu derrotar o Arsenal em pleno Emirates. Em 2018, haveria ainda mais sequências difíceis.

No intervalo de uma semana, recebeu Chelsea e Liverpool no Old Trafford, ambos sedentos por vitórias e o primeiro exibindo um ataque espetacular, e viajou a Londres para enfrentar o Crystal Palace. Derrotou os grandes rivais em seu domínio e proporcionou uma virada épica no Fergie Time diante dos londrinos. Tudo levava a crer que veria-se, finalmente, um United consistente. Cenário perfeito para eliminar o Sevilla tranquilamente dentro de casa, certo? Errado.

O colunista que vos escreve poderia citar outros momentos nos quais o time, quando mais parecia estar embalando, logo ruiu. O enfoque central é como esse comportamento incoerente impossibilita a firmação de voos mais altos. Chances foram aos montes desperdiçadas. Chances de evoluir.

Erros há tempos não corrigidos

É absolutamente consensual o fato de que Chris Smalling incomoda grande parte da torcida e não deve ser titular, falhando sempre quando exigido em alto nível. Ele, definitivamente, não é o defensor adequado para um time dessa proporção. O gasto com Lindelof, até aqui, se mostrou vão. Mas é evidente que o inglês não pode “se escalar”, de fato não o faz. Apenas cumpre (mal) o que lhe é sugerido. A cobrança deve ser feita a outro setor específico.

Ashley Young, ligeiramente improvisado como lateral-esquerdo, passa longe de ser um jogador jovem e em afinidade com a posição. Qual utilidade se vê, portanto, em Daley Blind (de quem muito gosto) e Luke Shaw (absolutamente esnobado por José)? Venda-os ou utilize-os, pois se mostra pouco pertinente mantê-los para finalidade nenhuma. As laterais, se levarmos em conta a também avançada idade de Valência, precisam de suplentes; e precisam de imediato.

Ander Herrera foi o nosso melhor jogador da última campanha (comparado, pasmem, a N’golo Kanté), Nemanja Matic é um fenômeno, Scott McTominay uma agradável revelação e Paul Pogba um dos maiores talentos da Liga. Suficiente para afirmar-se que o setor intermediário está previamente resolvido? A resposta é um incisivo não quando lembramos que o manager é capaz de preterir algum citado acima para escalar Fellaini.

Se Ander Herrera passa por um momento confuso e Paul Pogba pouco auxilia nas obrigações defensivas, é apropriado que se busque alguém no mercado. Um central-middlefielder. Fala-se muito do jovem Savic, sérvio que encanta trajando o manto da Lazio. Discute-se, mesmo que longinquamente, a possibilidade de propor uma oferta por Toni Kroos, um dos melhores da posição. José Mourinho e Ed Woodward entrarão em sintonia até o começo de Agosto? O time quer saber.

O ataque, após a aquisição de Sanchez, deve ser considerado ponto definido, tendo apenas o futuro de Martial como incógnita. José não pretende adquirir mais ninguém. O questionamento, aqui, é acerca de qual justificativa lógica o luso poderia fornecer para o fato de Marcus Rashford, o goldenboy da casa, atuar com frequência tão baixa. Mesmo decidindo jogos importantes, a joia inglesa costuma começar no banco e participar poucos minutos, sempre na ponta não habitual.

O que esperar para 2018-2019

Obviamente, o objetivo do texto não foi discorrer sobre os problemas mais visíveis. Não é uma crítica despretensiosa. É fato que o trabalho de Mou é, hoje, superior aos dois anteriores. A equipe evoluiu taticamente e possui, sim, algumas virtudes. Nessa temporada, apenas uma equipe mostrou ofício melhor que o nosso na Premier League; todas as outras 18 continuam abaixo. A PL, porém, é vencida justamente por quem demonstrou tal ofício, não pelo segundo lugar. Tem de haver crescimento exponencial.

Danny Rose, Savic, Umtiti (dispensável a priori) e Kroos são apenas alguns dos nomes especulados até então. O essencial é saber que, à altura alcançada, se pode exigir um trabalho de maior excelência por parte do comando técnico. Que venha, óbvio, algum reforço world class, o que nunca será desnecessário, mas que não seja esquecida a principal lição dos últimos anos: na disputa do título, o Manchester vem sabotando a si próprio.

Comentários