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Após um outubro decepcionante e um novembro recheado de empates frustrantes, questionei se ainda havia ambição por parte de José Mourinho em alcançar o Chelsea na tabela. Assistindo ao United afastar-se ainda mais do Top 4, discordei dos red devils que já visualizavam a Europa League como a única maneira do time retornar à Uefa Champions League, já que seria demasiado arriscado confiar em um torneio de mata-mata. Desastrosamente, aconteceu o que o colunista que vos escreve mais temia: a temporada inteira está dependendo de um só jogo.

Após tropeçar diante do (medíocre?) Swansea em pleno Old Trafford, Mou fez questão de assegurar publicamente: “Nossas chances na Premier League acabaram”. Em suma, o português havia desistido do campeonato nacional e apostaria todas as fichas no título da Uefa Europa League, que fornece vaga direta à fase de grupos da UCL . Porém, havendo sido contratado para pôr fim na maré de oscilações e fracassos, tudo o que NÃO poderia acontecer era isso. O Manchester United terá todo um ano definido em uma tarde. Mas aconteceu, e agora é preciso lidar com isso agindo como um clube gigante. Ou melhor, agindo como o Manchester United.

» Cenário

As quartas de final e a semifinal reservaram momentos tensos. Contra o campeão belga e o azarão espanhol, os ingleses tiverem certas dificuldades nos jogos de volta, já sem Ibrahimovic. Para piorar, um dos pontos altos da season, Eric Bailly, exímio zagueiro africano, irritou-se ao final da partida contra o Celta e socou o rosto do seu adversário, ganhando um cartão vermelho e sendo um desfalque oficial na final. Nós perdemos o nosso melhor defensor.

Já do lado oposto, os holandeses, que surpreendem com a notável média de idade de 22 anos, vêm como uma das sensações da season, formando um time jovem e excepcionalmente ofensivo. Destaque para a velocidade de contra-ataque, poder de infiltração pelas laterais (como ocorreu em 3 oportunidades de gol diante do Lyon) e os homens-gol da equipe, Traoré e Kasper Dolberg. Os gigantes no ostracismo tentam ressurgir. Tentam e são os favoritos até aqui, levando em consideração a campanha.

» O melhor jogador será o técnico

Independe das qualidades do catalão Josep Guardiola, é o luso que mais impressiona o colunista que aqui vos escreve. Sim, eu considero José Mourinho o melhor treinador do planeta, mas isso é discussão para outra coluna. É essencial frisar que, desde que chegou ao topo do mundo pela primeira vez, com o Porto FC, o Special One impressionou a todos com essa que é uma de suas maiores qualidades: adaptar-se ao adversário em questão e vencê-lo dentro de seu jogo.

Seja na semifinal da Champions League de 2010, no emblemático jogo do Camp Nou, no qual popularizou-se a expressão “estacionar o ônibus”, seja na final da Copa Del Rey de 2011, há expressivos exemplos de que Mourinho é verdadeiramente especial em tiros curtos e preparar a equipe para “embates específicos”. Utilizando-se dos famigerados mind games e de sofisticadas variações táticas, ele já provou inúmeras vezes que pode dar a volta por cima quando tudo parece estar perdido. Vimos isso na vitória de 2×0 contra o Chelsea, por exemplo. E veremos isso diante do Ajax.

» Seremos campeões?

Ademais o tom apocalíptico dos últimos parágrafos, lembro a vocês de que, mesmo não convencendo completamente, temos um elenco de prestígio. Ander Herrera, Paul Pogba, Henrikh Mkhitaryan, Marcus Rashford, David De Gea. São, quando inspirados, jogadores ótimos ou espetaculares. E temos o Special One. Qual a previsão? A previsão é de uma disputa árdua, mas equilibrada.

Percebe-se, portanto, que nós temos, sim, potencial para sermos campeões e voltarmos à grande competição europeia. Sim, viajaremos a Estolcomo para voltarmos campeões. A partida ocorrera hoje, 24 de maio, às 15:45, com transmissão ao vivo da ESPN Brasil. Quando decide-se a temporada.

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