#mancunianoColunasEspecial

Traduzido da série UTD UNSCRIPTED postado no site do United. Nessa oportunidade escrita por Alex Telles.

Eu nunca, nunca fui um bom perdedor. Sempre fui competitivo. Ainda hoje, até no pedra, papel, tesoura ou em qualquer tipo de aposta com gente que conheço… Só não gosto de perder em nada e sempre fui assim.

Desde o início, eu sempre fui o cara que pegou a bola e escolheu os times. Não queria ficar de fora de nenhum time. Sempre reunia meus amigos e organizava os jogos, e se perdesse isso me incomodava muito. Se os jogos estivessem acabando e eu perdendo, sempre acrescentaria um tempo extra aos jogos para jogar por mais tempo para tentar empatar ou virar, para nunca mais sair de campo derrotado. Se isso acontecesse, ficaria muito chateado e não teria vontade de falar com ninguém, só queria treinar para poder vencer o próximo jogo.

Felizmente, fiz parte de equipes vencedoras desde muito jovem. Desde pequeno, desde quando comecei a entender a vida, estava sempre chutando a bola pela casa. Eu era um garoto muito ativo, nunca ficava parado, então acho que o esporte e o futebol me ajudaram muito. Eu sabia desde cedo o que queria fazer: queria jogar futebol e vencer.

Graças a Deus ganhei coisas em todos os lugares em que joguei. Lembro-me que o primeiro troféu importante que ganhei quando criança foi quando tinha uns 17 anos. Ainda não tinha chegado ao time titular e vencemos um torneio importante no sul do Brasil. Foi muito importante para mim, ainda tenho uma foto minha com o troféu que ainda olho com carinho. Graças a Deus em todos os lugares que estive ganhei muito e isso é muito importante para mim. Acho que isso representa uma parte da história e é ótimo para nossas carreiras.

Aquele primeiro troféu que você ganha é tão importante porque significa o início de uma trajetória de vitórias, o início de uma história que está deixando uma marca no futebol, grande ou pequena. Deixar uma marca é importante na minha carreira. Esse foi o primeiro troféu e hoje, graças a Deus, devo ter ganhado cerca de sete ou oito troféus na minha carreira de jogador profissional e isso é muito importante para mim.

No entanto, nem sempre é fácil ou rápido.

Veja a minha estreia no Juventude, meu primeiro clube no Brasil, por exemplo. Foi um dia realmente memorável para mim. O Juventude é de uma cidade pequena, então eu tinha muitos amigos e parentes no estádio naquele dia. Durante o jogo, tabelei pela ala esquerda e entrei. Do nada, tudo se abriu para mim na entrada da área, então entrei na área. Sempre dei um bom chute de longe, então acertei e ela entrou. Foi uma surpresa para mim, pois não era o tipo de jogador que entra na área e chuta, mas dessa vez a jogada funcionou bem! Claro, meu primeiro gol é uma lembrança que ainda me traz muita alegria, muitas lembranças da minha primeira sensação de marcar um gol como jogador de futebol, mas infelizmente acabei me lesionando logo depois e tive que deixar o campo.

Rompi o ligamento cruzado do joelho esquerdo e fiquei ausente por sete meses. Portanto, embora estivesse muito feliz por ter marcado meu primeiro gol e vivido o sonho de marcar, tinha um longo caminho pela frente.

Esse jogo ajudou muito a minha ambição. Esse primeiro gol para mim foi um grande incentivo para minha carreira. Para começar, as coisas estavam muito difíceis. Muitos jogadores já passaram por isso. Pensei em desistir no início por vários motivos. Isso foi antes de ganhar meu primeiro troféu ainda jovem. Não tive muitas oportunidades de jogar, era muito difícil ter a oportunidade de estar em campo mostrando o que eu sabia fazer. Muitas vezes eu treinava, mas não jogava muitas partidas. Quando você é mais jovem, quando você não tem muita experiência, imediatamente pensa em desistir. Você não sabe o que seu futuro reserva, se você vai se dar bem como jogador, então começa a pensar em estudar algo. Então, sim, houve muitas vezes em que pensei em desistir. O maior motivador para eu não fazer isso foi a forte vontade de minha família. Meu desejo primeiro e depois dos meus pais, que nunca me deixaram desistir de nada. Meu pai sempre sonhou em ser jogador de futebol, mas não conseguiu, então carrego o sonho do meu pai comigo e tenho jogado junto com ele até os dias de hoje.

O fato é que não é fácil chegar ao mais alto nível no futebol. Para chegar lá você enfrenta muitos obstáculos e dificuldades, mas nunca desisti e cheguei aqui passando por muita luta e sou muito grato por isso. Acho que o futebol tem tudo a ver com momentos, bons e ruins, então você tem que aprender a valorizar os dois.

A cicatriz na minha cabeça, por exemplo, é algo que vejo com carinho. Este foi mais um episódio difícil na minha carreira, mas estou orgulhoso desta cicatriz porque faz parte da minha história, faz parte da minha carreira. Foi um derby muito importante do futebol brasileiro – o clássico entre Grêmio e Internacional – o jogo estava quase acabando e fui disputar uma bola de cabeça. Cheguei nela antes do jogador adversário, que chegou atrasado. Acabamos batendo de cabeça e sofri uma fratura facial. Tive que passar por uma operação bastante complexa, de onde vem essa grande cicatriz na minha cabeça. Como já disse, faz parte da minha história, é o meu diferencial e sempre progredi muito bem na minha carreira ao voltar de uma lesão.

Sempre houve uma resposta muito positiva de minha parte nessas situações. Em primeiro lugar, sou alguém com muita fé, fé em Deus. Desde o início, eu e minha família sempre tivemos muita fé e crença. Acho que sempre há algo maior do que nós em que podemos confiar e acreditar, e isso é o mais importante para mim. Então, obviamente, há trabalho duro, trabalhar com uma mentalidade positiva, ter família ao seu redor, pessoas que te motivam, te levantam e te ajudam a crescer todos os dias. Foi através deles e de mim mesmo que consegui isso. Acima de tudo, acho que é porque esse é o meu sonho, perseguir meus sonhos e nunca desisti.

Isso me permitiu ganhar muitos troféus no Brasil, Turquia e Portugal até agora na minha carreira. Tenho feito parte de equipes com fortes vitórias e não há grande segredo para o sucesso: acho que o principal é o trabalho árduo e honesto – um trabalho onde todos os jogadores dão tudo de si, não apenas durante os jogos, mas também no treinamento diário. Você precisa se exercitar na academia antes de uma partida. Se você precisa se exercitar, então você se exercita, você faz seu trabalho de recuperação quando necessário. Às vezes, o trabalho que ninguém vê é o mais importante; pode ser o trabalho que conquista um título da liga. Descansando em casa, se recuperando na hora certa, dormindo bem. Pensando nos elementos práticos, definitivamente em campo não pode haver individualismo. Acredito que o futebol é muito coletivo, ganhamos como uma equipe e perdemos como uma equipe.

Há seis meses que estou aqui no United, já vi o suficiente para dizer que acho que estamos no caminho certo para o sucesso. Em termos de qualidade, todos os jogadores são de alta qualidade. Quem quer que esteja em campo mantém padrões elevados. Quem chega para substituir outro jogador ou quem está jogando, mantém-se o alto padrão, o que é muito importante. Acredito que temos um grupo muito bom e dá para sentir essa competitividade, pois quando perdemos ou empatamos fica todo mundo chateado no vestiário, é perceptível entre os jogadores. Não sou o único mau perdedor aqui! Acho que essa frustração quando não ganhamos um jogo é um sinal de que estamos no caminho certo, já que só há jogadores vencedores aqui, tenho certeza que definitivamente vamos ganhar troféus aqui.

Acho que o jogador de maior sucesso é aquele que ganha um troféu e no dia seguinte está trabalhando para ganhar outro. Eu acho que isso é a grande coisa do futebol, que você sempre tem outra oportunidade de ganhar algo ainda maior no dia seguinte. Se perder um jogo, você pode trabalhar no dia seguinte para ganhar o próximo jogo. O futebol tem muitas oportunidades e o bom do jogo é que a cada dia há uma novidade: um novo jogo para você ganhar, para conquistar mais e ser lembrado e fazer história no clube. Acho que isso é o mais importante, ser lembrado com carinho em seus clubes pelas coisas que ganhou.

Quando ganho alguma coisa, em primeiro lugar agradeço a Deus por me dar saúde para poder jogar futebol. A partir daí, todos nós ganhamos, não apenas uma pessoa, e cada um tem sua própria inspiração. Tenho minha família, as pessoas ao meu redor que me apoiaram desde o início nos momentos mais difíceis, então é nesses momentos de alegria que pensamos nelas. Os verdadeiros amigos que temos, aqueles que nos apoiam, como disse antes, quando um jogador levanta o troféu é o trabalho de toda a equipe, não só dos jogadores mas também da equipe técnica, todos ganham.

Claro, dos torcedores também.

Eu amo jogar para os torcedores. Sou uma pessoa cheia de coração, não só no esporte, mas na vida. Eu sou muito apaixonado pelas coisas e quando estou interessado em algo, eu realmente entro nisso. Quando estou em um clube de futebol, sinto muito o clube e quando vejo um torcedor no estádio comemorando um gol, sinto as mesmas emoções que eles. Quando eu marco … bem, em primeiro lugar sou um lateral-esquerdo, e os laterais-esquerdos não costumam marcar tantos gols, na verdade os defensores não marcam com tanta frequência. Então, quando avançamos e marcamos um gol, é um tipo diferente de alegria, ficamos em êxtase. Quando eu marco um gol, quero comemorar junto com a torcida e ouvir o barulho do estádio … aquele momento é simplesmente épico. Realmente vem do coração e sempre fico em êxtase quando isso acontece.

Portanto, tem sido muito estranho jogar em estádios vazios e, honestamente, não é fácil. Obviamente, um estádio cheio de nossos torcedores lhe dá motivação adicional. Você fica muito motivado quando entra em campo para se aquecer e ouve o barulho de todo o estádio. Sentimos muita falta, mal podemos esperar que os estádios voltem a encher. Também é bom quando jogamos fora, é bom ouvir as vaias e assobios, pois isso também motiva você de uma maneira diferente. Sabemos que isso faz parte do espetáculo futebolístico e esperamos que volte logo. Acho que a única coisa que falta no futebol agora são os torcedores. É tudo sobre o barulho: é quando você marca um gol ou mesmo quando você não marca, mas chega perto, e fica aquela sensação de ‘quase’ no ar. Quando voce esta cansado, os torcedores gritando o impulsionam e lhe dão motivação adicional. Você joga para você e para o time, mas também joga para a torcida.

Infelizmente, ainda não tive a chance de jogar para ostorcedores do United, mas só ouvi coisas boas e olhei os vídeos de torcedores no YouTube. Às vezes, quando vejo vídeos de jogos nas redes sociais em um Old Trafford lotado, fico muito motivado. Me motiva a querer jogar para uma multidão em Old Trafford. Mal posso esperar para que isso aconteça, mas sabemos que para que isso aconteça, as pessoas precisam ter consciência hoje para que possamos estar juntos novamente mais adiante.

Então, quando finalmente estivermos todos juntos, vamos nos concentrar em vencer juntos.

Postagem original: https://www.manutd.com/en/news/detail/utd-unscripted-alex-telles-19-march-2021?t=y&utm_source=twitter&utm_medium=post&utm_campaign=appandweb&utm_content=cavanionrashford20210320

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