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Doze dos principais clubes de futebol da Europa reuniram-se nesse domingo para anunciar que concordaram em estabelecer uma nova competição no meio da semana, a Super League, comandada por seus clubes fundadores. Competição essa que ficaria no lugar da Liga dos Campeões.

Os clubes fundadores são:

  • ArsenalChelseaLiverpoolManchester CityManchester United e Tottenham (Inglaterra)
  • Atlético de MadridBarcelona e Real Madrid (Espanha)
  • Inter de MilãoJuventus Milan (Itália)

Outros três participantes são aguardados para a temporada inaugural, que começará “assim que for possível” segundo comunicado divulgado para a imprensa.

Presidida por Florentino Pérez, mandatário do Real Madrid, a Superliga afirmou que, de olho no futuro, espera manter conversas com a Uefa e a Fifa “buscando melhores soluções para a Superliga e o conjunto do futebol mundial”, embora a relação já nasça estremecida. Joe Glazer, co-proprietário do Manchester United será um dos vice-presidentes.

Ainda neste domingo, a UEFA ameaçou punir severamente os clubes envolvidos e também proibir os jogadores de disputarem competições pelas suas seleções.

O presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, afirmou que os jogadores que participarem da Super League serão banidos da Copa do Mundo e da Eurocopa. Ela tem o apoio das principais ligas de clubes nacionais, como a Premier League (Inglaterra), Bundesliga (Alemanha), Serie A (Itália), La Liga (Espanha) e Ligue 1 (França). Clubes como Bayern, Borussia Dortmund, RB Leipzig e Paris Saint-Germain, recusaram participar da Superliga.

Formato do torneio

  • Participarão 20 clubes, sendo 15 deles fundadores e um mecanismo de classificação para os outros cinco se juntarem com base no rendimento da temporada anterior
  • Jogos no meio de semana com todos os clubes continuando a competir nas suas respectivas ligas, preservando o calendário tradicional de jogos domésticos
  • Dois grupos de 10 começando em um mês de agosto, jogando em casa e fora, com os três primeiros em cada grupo se classificando automaticamente para as quartas de final. As equipes que terminarem em quarto em quinto de cada grupo jogarão um playoff de ida e volta pelas vagas restantes
  • O formato de mata-mata com ida e volta será usado para chegar à final no fim de maio, que será disputada em jogo único em local neutro

Assim que possível, uma liga feminina também será lançada, “ajudando a avançar e desenvolver o futebol feminino”.

Ainda segundo o comunicado, o novo torneio anual “proporcionará um crescimento econômico significantemente maior e apoio ao futebol europeu por meio de um compromisso de longo prazo com pagamentos de solidariedade ilimitados que crescerão de acordo com as receitas da Superliga”.

Ela destaca que “estes pagamentos de solidariedade serão substancialmente mais elevados do que os gerados pela atual competição europeia (a Liga dos Campeões) e deverão ser superiores a € 10 bilhões durante o período de compromisso inicial dos clubes”.

Além disso, também será construída uma base financeira sustentável para os clubes fundadores receberem € 3,5 bilhões exclusivamente para apoiar seus planos de investimento em infraestrutura e para compensar o impacto da pandemia da Covid-19.

Se este valor se confirmar, seria muito superior à quantidade paga aos clubes pela Uefa em todas as competições (Liga dos Campeões, Liga Europa e Supercopa Europeia), que geraram € 3,2 bilhões em direitos de transmissão na temporada 2018/19, antes que a pandemia afetasse seriamente o mercado europeu de direitos esportivos.

Fifa é contra criação de Superliga

A entidade máxima afirmou, também em comunicado, que “só pode desaprovar uma Liga Europeia fechada e dissidente fora das estruturas do futebol”.

“A Fifa quer esclarecer que está firmemente posicionada em favor da solidariedade no futebol e de um modelo de redistribuição justo. A Fifa sempre defende a unidade no futebol mundial e apela a todas as partes envolvidas nas discussões acaloradas a se engajarem em um diálogo calmo, construtivo e equilibrado para o bem deste jogo”.

Uefa anunciaria mudanças na Champions na segunda

O anúncio desta posição da Uefa surge na véspera da reunião de seu Comitê Executivo (nesta segunda-feira, a partir das 4h de Brasília), na cidade suíça de Montreux, para aprovar uma profunda reforma da Liga dos Campeões, com a qual pretende eliminar a possibilidade de surgimento dessa Superliga.

A Uefa agradeceu aos clubes que não se manifestaram a favor desta inciativa independente, “em particular aos times franceses e alemães, que se recusaram a participar deste projeto”.

Já a Associação Europeia de Clubes (ECA, pela sigla em inglês), da qual fazem parte grandes times do futebol europeu, declarou também neste domingo ser “fortemente contra um modelo fechado da Superliga”, as primeiras notícias sobre a sua criação.

“A ECA, como organismo representativo de 246 clubes de primeira linha em toda a Europa, reafirma o seu empenho em trabalhar no desenvolvimento do modelo de competição de clubes da Uefa, com a Uefa, para o ciclo que começa em 2024”, divulgou a entidade.

Esta posição firme da ECA pode surpreender, tendo em conta que este grupo, muitas vezes visto como o porta-voz dos clubes mais poderosos da Europa, era presidido pelo italiano Andrea Agnelli, patrono da Juventus, uma das equipes envolvidas na criação da Superliga. Ele pediu demissão do cargo, assim como os 12 clubes da Superliga também se desfiliaram.

“A ECA mantém-se na posição aprovada no seu Comitê Executivo de 16 de abril, ou seja, apoia o compromisso de trabalhar com a Uefa numa nova estrutura para o futebol europeu como um todo após 2024”, acrescentou o organismo.

Joel Glazer, co-presidente do Manchester United e vice-presidente da Super League disse: 

“Ao reunir os maiores clubes e jogadores do mundo para jogarem uns contra os outros ao longo da temporada, a Super League abrirá um novo capítulo para o futebol europeu, garantindo competição e instalações de classe mundial, e maior apoio financeiro para a pirâmide futebolística mais ampla.”

United realizou um fórum para torcedores na sexta-feira e “se esqueceu” de contar aos torcedores presentes sobre os planos do clube de ingressar na Super Liga. Ed Woodward prometeu anteriormente manter os torcedores informados sobre quaisquer desenvolvimentos em relação às competições europeias.

O Manchester United deixou o cargo da European Club Association (ECA) e o vice-presidente executivo do clube, Ed Woodward, deixou o cargo que ocupava na UEFA.

Os donos dos clubes envolvidos na Superliga estão “totalmente comprometidos”. A separação está sendo conduzida pelos Glazers, Ed Woodward e JPMorgan.

Isso é uma vergonha!!!

Fiquem com as palavras de Gary Neville:

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